Sábado, 18 de Julho de 2009

Grupos de media de cabeça perdida

A crise que vive a comunicação social, está a fazer com que os donos dos grupos de media europeus estejam a perder completamente a cabeça e em vez de tentarem procurar soluções que lhes permitam reinventar os seus business plan, andam desnorteados a lutar contra moinhos de vento.
Esta é a sensação que tenho perante a assinatura de um documento que designaram “Declaração de Hamburgo” e entregaram à Comissão Europeia, tendo como objectivo a protecção dos direitos de autor na internet.
Na minha perspectiva, não faz qualquer sentido a pretensão de exigir aos agregadores de conteúdos o pagamento pela pesquisa e referência às suas notícias, que por sua vez são disponibilizadas sem qualquer custo nos seus sites! Este pressuposto vai contra a lógica dos motores de busca e com isto contra a lógica da própria internet.
 
Se os media querem cobrar pelos conteúdos, então devem condicionar o acesso aos seus sites apenas aos utilizadores pagantes, que aliás é o que defendem alguns meios norte americanos de grande dimensão. Para mim, ninguém está disposto a pagar por aceder a notícias na web e o futuro dos media passa necessariamente pela sua capacidade de gerar receitas publicitárias, mas há quem aposte que este vai ser o futuro. A ver vamos…
Na verdade o que os grupos de media que assinaram a Declaração de Hamburgo pretendem fazer é conciliar o inconciliável, ou seja, por um lado mostrar grandes números de audiência que lhes permitam aumentar as receitas publicitárias, e por outro lado cobrar o acesso aos conteúdos às entidades que lhes permitem garantir a maximização desses mesmos números.
 
O Google, perante a declaração de Hamburgo, disse e bem, que os sites que pretendam proteger os seus conteúdos, podem fazê-lo tecnicamente através de uma tecnologia denominada Robots Exclusion Protocol (REP) que permite controlar a divulgação de sites ou páginas de Internet nos agregadores de informação.
Isto quer dizer que a decisão de disponibilizar ou não os conteúdos parte dos próprios meios e não dos agregadores de conteúdos. Então porque não decidem fazê-lo? Fácil, não o fazem porque o Google e outros agregadores garantem-lhes ao mesmo tempo redireccionar pessoas para os seus sites, garantindo-lhes com isto visibilidade e consequentemente receitas publicitárias.
Com isto o que pretende exactamente a Declaração de Hamburgo? Pelas palavras de Francisco Pinto Balsemão, presidente do European Publishers Council, ao afirmar que a declaração é um apelo aos governos a nível mundial que apoiem o copyright de autores, editores e operadores audivisuais na internet, quase me atrevo a pensar que são subsídios estatais.
publicado por uriel oliveira às 15:20
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Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

Informação de borla para todos

 
Tenho a sensação que os grandes da comunicação social ainda não perceberam que a crise que estão a atravessar hoje, não se esgota nos factores que determinam a crise em toda a economia mundial, mas sim uma crise que anuncia a ruptura total da concepção actual de media.
 
Rupert Murdoch, dono do Wall Street Journal, alertou os gestores de jornais que vão ter que encontrar formas de cobrar pelo conteúdo online. Pois eu acho exactamente o contrário, ninguém vai estar disponível para pagar por conteúdos e se os gestores dos jornais basearem a sua visão de negócio neste cenário, estarão destinados ao fracasso.
 
O modelo negócio da comunicação social do futuro, terá que assentar necessariamente nas receitas publicitárias que serão canalizadas dos meios tradicionais para os novos meios, e se hoje a publicidade online não consegue cobrir os custos associados à quebra das receitas na publicidade impressa, é porque a publicidade online não se esgota nos formatos que hoje são propostos. Os media tradicionais limitaram-se a adaptar as edições offline para online propondo a venda de espaço nos seus sites e claramente não é isto que os anunciantes pretendem. Online e hoje os anunciantes avaliam directamente e objectivamente o retorno das suas campanhas e isto faz com que ninguém esteja mais disponível para comprar GRP’s completamente às cegas.  Assim, a própria publicidade tem que ser reinventada, colocando o consumidor no centro do processo e deixando de ser pensada para o umbigo dos senhores criativos.
 
A presença das marcas no online será baseada na interactividade e na capacidade de despertarem comportamentos nos consumidores e será neste espaço que os novos media e os novos criativos terão que encontrar o seu posicionamento no mercado.
publicado por uriel oliveira às 12:31
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